Empresários e sucessão

Empresa, família e sucessão: por que decisões isoladas podem criar riscos?

Para muitos empresários, a empresa é o maior ativo da família. Quando ela, os imóveis, os seguros e a sucessão são tratados separadamente, surgem riscos que ninguém está olhando.

· 8 min de leitura · por Bárbara Gadel Moore

Para boa parte dos empresários brasileiros, a empresa não é apenas uma fonte de renda. É o maior ativo da família, a origem do patrimônio financeiro e, muitas vezes, o centro de decisões que afetam várias gerações.

Ainda assim, é comum que os temas ligados a ela sejam tratados em conversas separadas: o contador cuida da empresa, o banco cuida dos investimentos, o advogado cuida da sucessão quando alguém toca no assunto, o corretor cuida dos seguros na renovação. Cada conversa pode ser excelente. O risco está no que fica entre elas.

Três situações frequentes

A concentração que ninguém mede. Quando a participação na empresa representa 60%, 70% ou mais do patrimônio total, a carteira financeira deveria, em tese, ser pensada para compensar esse risco: mais liquidez, menos exposição ao mesmo setor, mais diversificação. Na prática, investimentos costumam ser escolhidos olhando apenas para a carteira, como se a empresa não existisse.

A liquidez que falta na hora errada. Processos sucessórios envolvem custos (tributos, honorários, despesas cartoriais) que precisam ser pagos em dinheiro, muitas vezes antes de os bens serem partilhados. Famílias com patrimônio concentrado em empresa e imóveis podem enfrentar dificuldade justamente quando menos deveriam ter de se preocupar com isso.

Decisões que se contradizem. Uma distribuição de lucros feita sem plano, um imóvel comprado em nome da pessoa física quando outra estrutura seria discutida com o advogado, um seguro de vida dimensionado anos atrás. Isoladamente, nenhuma dessas decisões é um erro. Em conjunto, podem criar efeitos que ninguém planejou.

O que significa coordenar

Coordenar não significa centralizar todas as decisões em uma pessoa nem substituir os especialistas. Significa garantir que:

  • exista um retrato consolidado do patrimônio da família: empresa, imóveis, investimentos, seguros, dívidas;
  • as perguntas certas cheguem ao especialista certo, no momento certo;
  • as decisões tomadas em uma frente sejam consideradas nas outras;
  • alguém acompanhe se o que foi decidido foi, de fato, implementado.

O advogado continua sendo o responsável pelos instrumentos jurídicos. O contador, pela parte contábil e fiscal. O corretor, pelas apólices. Mas todos passam a trabalhar a partir das mesmas informações e dos mesmos objetivos da família.

Por onde começar

Algumas perguntas ajudam a avaliar se há riscos de coordenação:

  1. Qual percentual do patrimônio total da família está na empresa? E em imóveis?
  2. Se fosse preciso arcar hoje com os custos de uma sucessão, de onde viriam os recursos?
  3. Quando foi a última vez que o advogado, o contador e quem orienta seus investimentos conversaram sobre a mesma decisão?
  4. Os herdeiros sabem o que existe, onde está e quem procurar?

Não há respostas certas ou erradas. Mas cada “não sei” costuma indicar um tema que merece uma conversa organizada, de preferência antes de se tornar urgente.


Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento individualizada nem orientação jurídica, tributária ou contábil. Questões sucessórias e societárias devem ser avaliadas por advogados e contadores habilitados.

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